Desde o fim da exposição CAP007, no segundosemestre de 2007, vêm ocorrendo entre os alunos do CAP uma série de discussõessobre os significados da exposiçãoanualpornós organizada. Isso se refere tanto, emtermosparticulares, ao sentido de suaexistência no departamentocomoumprodutocoletivo dos estudantes, quanto, emtermos abrangentes, a seuentendimentocomofruto e reflexo de uma conjuntura do sistema e pensamentoartístico no Brasil. Nessas reuniões e debates - que contaram com a presença de alunos ingressantes, veteranos e egressos - diversas questões foram levantadas: desde a estrutura curricular do CAP até a ausência de umespaçoexpositivo. Soma-se a isso a ausênciaou a fragilidade do diálogoentre as diferentesturmas – os quatrobacharelados e a licenciatura – pontoque foi bastante discutido.
As aulas, que podem fazerestepapel de formadoras do diálogo, no correr das obrigações cotidianas acabam pordarinício, masnão a efetivar uma práticacorrente e constante de diálogo. Talprática é aquientendidacomoparte de umoutrolado da vida da universidadeque se dá comofruto de convivênciaestudantil e renovação do debateartísticoaindanão incluído em uma estruturaacadêmica e curricular.
Dentro destas discussões, a exposiçãoanual do CAP foi entendida, emretrospecto, como uma tentativa de criarummomentoemqueessediálogo pudesse ocorrer, com a exibição dos trabalhos produzidos pelosalunos. Momentoemque nossas reflexões artísticas, ao serem expostas dentro da escola, nos estimulassem reciprocamente. No entanto, não é o que se verifica. Pelocontrário, o que se vê é indiferença. Poucoscomentários, pouca repercussão, poucodebate, poucosignificado. O debate, se surge - na melhor das hipóteses -, é, emgeral, fruto de causas extrínsecas à exposição, ou no mínimo, de posturasque se batem contraela.
Diante disso, as reuniõesparadiscussão da exposição de 2008 encaminharam-se para o questionamento do formatoque esta assume todoano. Para os alunosque vêm participando das reuniõesabertas, seguir o formato “tradicional” de nossaexposiçãonão resolveria o problema de diálogoque se percebe no departamento. Pordiálogo entende-se a troca e o confronto de idéias, pautados emconceitos e fatosrelativos à nossamatéria de pensamento – a arte, fundamentalmente -, e não a expressão das diversas opiniõesquenão formam um (nemnenhum) ponto de vista, seja emconversascasuaisouemgrupos de discussãovirtual. Uma das causas dessa situação seria justamente a exigüidade das trocasouproduçãocoletivaemâmbito extra-curricular, extra-acadêmico. Assim, formulada emtermosespecíficos, chegou-se à hipótese de queparte desse problema seria frutotambém da ausência de umespaçofísico de convivência, paraalém dos ateliês e salas de aula.
Daí surgiu a propostapara a exposição CAP008: a construçãopelosestudantes de seuespaço de convivência. Aindaque uma reforma esteja porvir, na qual acreditamos queesteespaço tem seulugar garantido, esta construçãoproposta teria umsentidomodelar e propriamente artístico – já funcionaria comoumexercício de formalizaçãoespacial de idéias e necessidades concretas, pautada jápordebates, propostas e discussões. Talpropostanão impede que se exponham obrasdurante o período da exposição. Apenasnão haverá uma organizaçãonem uma tentativa de fazer do espaço do CAP uma espécie de arremedo de cubobranco, como ocorre anualmente.
Resumindo, emtermospráticos a exposição será a construção do espaço de convivência dos alunos do CAP. Essa construção ocorrerá no período da exposição, de 26/09 a 27/10, juntocomoutroseventosrecorrentes na ocasião da exposição, comopalestras e oficinas envolvendo o tema da construção e/ou da reflexãosobreespaçospúblicos e da formaçãoemarte.
Entendemos, ainda, quetalproposta trará uma outraexperiência de práticaartística, renovada, emdoissentidos: umrelativo à forma de criação, que se dará coletivamenteemtorno de umúnicoobjeto; e outro no que se refere a seuprocesso de concretização: o uso, na formalização do espaço, de matérias e procedimentos tradicionalmente associados à arquitetura.
Comojá pode servisto, delimitou-se ummuralonde os alunos poderão desenharouafixarseusprojetospara o espaço. Combase nesse material, se formulará ou escolherá conjuntamenteumprojeto – combase no diálogo e não no modelo utilizado nosanosanteriores, próximo ao do edital, salãoouconcurso – que contemple necessidades, condiçõesmateriais e técnicas construtivas de que se dispõe.